Página actualizada em 12-05-2005 e optimizada para Internet Explorer
Arqueolinques | Fotos | "Lascas e cacos"
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Continuo à espera de colaboração. Isto não é só vir cá ver e achar piada. Agitem um bocadinho a serradura!
E-mail em cima, à esquerda.
ACOMPANHAMENTO DE OBRA – Ficar do outro lado da moita para quem está a “mandar o fax”, não ser apanhado “com as calças na mão”.
AMESTRADO – Como o próprio nome indica, trata-se de um arqueólogo antes de concluir o mestrado.
ARQUEÓLOGO – Categoria profissional que se distingue por exibir um grau extremo de “cusquitis macabrus” . É capaz de passar meses a esgravatar na terra só para saber da vida de pessoas que já morreram há muito tempo. Para um arqueólogo, só uma coisa o pode desviar desta doentia actividade: tentar saber da vida de outro arqueólogo.
BÁCULO – Leitão num Restaurante Chinês.
BIFACE
–
Existem alguns na comunidade arqueológica, como em todas as profissões
(normalmente chamados de vira-casacas ou troca-tintas). Para os nossos
apaixonados, ingénuos e honestos arqueólogos fica o aviso: "Cuidado! Um
golpe de Biface pelas costas pode matar!!!".
BRONZE
FINAL – Praia de Monte Gordo por
volta das três da tarde.
CERÂMICA BÉTICA – Cerâmica produzida na zona de Cascais, antes da invenção dos chás de caridade, dos tapetes de Arraiolos e das festas do Jet-Set.
CERÂMICA CAMPANIFORME – Cerâmica que, na sua génese, era suposto ter a forma de uma campa. No entanto, por manifesta falta de jeito dos artesãos (só conseguiam formas arredondadas) e de paciência dos chefes das tribos, acabou por ficar com a forma com que hoje a vamos encontrando.
CERÂMICA CARDEAL – Cerâmica de rara qualidade, o seu uso só era permitido às altas individualidades do clero.
CERÂMICA COMUM – Todo o fragmento de cerâmica que, ao ser encontrado por um arqueólogo, é enquadrado na classe “que raio de bosta é esta?”.
CERÂMICA SIGILLATA – Cerâmica feita em segredo.
CERÂMICA VIDRADA – Cerâmica inventada pelos Árabes, era produzida após inalação de substâncias ”inebriantes”.
CONGRESSO
– Ritual arqueológico que engloba dois espaços: Auditório – Área
de entretenimento em que se paga para ver concursos de ofensas entre
Arqueólogos; Corredores – Zona muito mais frequentada onde, nos
intervalos da cusquice, por vezes se fala de Arqueologia.
CORDA SECA PARCIAL – Corda húmida.
CORDA SECA TOTAL – Corda podre.
COTAS
- ...são cotas!
CUSQUICE – Espécie de relatório de escavação mas que difere deste no seguinte: é publicado diariamente; chega a toda a comunidade arqueológica em menos de um dia; interessa a todos os Arqueólogos e não consta que haja algum em atraso.
DEFINIR CAMADA – Perguntar a um Arqueólogo o que bebeu na noite anterior.
ENTESAR – Acto de elaborar uma tese.
ESTAÇÃO TOTAL – Espaço de tempo que decorre entre um Solstício e um Equinócio e vice-versa.
ESTUDO DE IMPACTO – Tarefa executada por Arqueólogo quando quer testar a quantidade de pancada que aguenta.
ESTUDO DE MATERIAIS – Acção desenvolvida pelos Arqueólogos no primeiro dia de campanha, à medida que vão chegando os voluntários.
FRACTURA RECENTE – Aspecto da cabeça de um Arqueólogo logo após o "acerto do corte" (ver acima).
FÓSSIL DIRECTOR – Termo que designa certos directores de escavação que, devido à sua idade avançada, passam os dias de escavação (nas raras ocasiões em que vão ao campo) sentados à sombra (numa cadeirinha desmontável que trouxeram de casa) a “comandar as operações”.
INSEMINAR – Embrenhar-se na feitura do famigerado “trabalho de seminário”.
I.P.A. - (Instituto Paleo-Arqueológico) - Estrutura administrativa regida por sua vez pelo C.I.P.A (Controle do Instituto Paleo-Arqueológico).
LASCA
– Com um pouco de sorte, há sempre pelo menos uma na escavação. No entanto,
no caso deste apreciado "artefacto", o processo normal de
"trabalho" sofre algumas alterações. Dito isto, aqui fica o
encadeamento cronológico usual nestas situações:
1 – Estudo de materiais (esta fase pode ser aproveitada para tirar as
medidas e cotar a “peça”)
2 – Aquisição de conhecimentos (se necessário, recorrer ao uso de um
precioso auxiliar de estudo: a “mine”)
3 – Marcação (cuidado com o verniz)
4 – Colagem (esta é uma fase muito delicada pois o uso de demasiada
cola pode provocar rejeição)
5 – Isolamento do “artefacto” (há várias opções possíveis: um
passeio pelo campo, uma noite de insónia, uma indisposição à hora de ir para
os copos, etc.)
6 – Verificação da qualidade do material (a técnica mais usada é a
“apalpação”)
7 – Escavação (o valor do “artefacto” requer grande perícia no
uso do pincel)
8 – Remontagem (como é óbvio, depende do sucesso da fase anterior)
LICENÇA SABÁTICA – Artifício administrativo que permite a um professor ficar livre dos alunos por uns tempos. Este nome quer dizer que “passa a ser Sábado todos os dias” (é por isso que nunca ninguém ouviu falar de uma “Licença Segundafeirica”).
MIGÁSTZIO – Expressão utilizada sempre que um Arqueólogo encontra um fragmento de cerâmica.
NÍVEL – Vai baixando à medida que dois Arqueólogos vão conversando.
PICO - Gosta de ser agarrado por trás com força e atirado de encontro à parede ou ao chão. Nessas alturas entra em estado de grande excitação e é até capaz de fazer tudo em cacos. Pode tornar-se perigoso para um arqueólogo se o apanhar pelas costas mas não representa grande ameaça para as arqueólogas que, embora por vezes com pena, nunca poderão desfrutar de todos os seus atributos.
PINCEL – Utensílio de escavação de formato alongado, mais largo numa das extremidades. Pode apresentar tamanhos maiores ou mais pequenos e algumas variantes no formato, mas no fundo, servem todos para o mesmo. É frequente, numa escavação, os arqueólogos usarem o pincel do vizinho do lado. No entanto, cada um sabe onde está o seu e gosta de o ter sempre à mão.
P.N.T.A. - Projecto de trabalhos arqueológicos cuja sigla significa: "Para Não Ter Apoio". Muitos arqueólogos, talvez por não estarem ao corrente deste facto, queixam-se de nunca lhes ser atribuído subsídio para os seus trabalhos de investigação, atribuindo as culpas ao IPA (ver acima). Meus amigos: estão no projecto errado! Candidatem-se já ao programa P.T.R.D.C.C.F.V.E.U.M.P.A. (Para Ter Rios de Dinheiro, Comprar Carros, Fazer Viagens e Escavar Um Mês Por Ano). Não sabem como se concorre? Eu também não! Se soubesse, acham que estava aqui fechado em casa a escrever estas coisas!?
RELOCALIZAÇÃO – Tarefa executada por coleccionadores com detector de metais. As peças localizadas nos sítios arqueológicos, passam a localizar-se em casa dos próprios.
REMONTAGEM – Acontece quando dois (ou mais) Arqueólogos se encontram e confrontam as cusquices na tentativa de descobrir qual das versões (normalmente tantas quantos os presentes) é a autêntica.
RE-MONTAGEM – Coitus interruptus interruptus.
SIGLA – Designação referente à utilização de iniciais de modo a simplificar a articulação de certas designações assaz complicadas. Seguem-se algumas siglas que vêm tornar mais fácil e acessível o acesso à hermética linguagem dos arqueólogos:
M.N.V.C. – Massa Nuclear Volumetricamente Conformada (vulgo Núcleo)
P.L.C.V. – Produto Lascivo de Conformação Volumétrica (vulgo Lasca)
D.E.C.V. – Detrito Estilhaçóide de Conformação Volumétrica (vulgo Esquírola)
U.E.F.F.R. – Utensílio de Extremidade Formatada para Função Raspante (vulgo Raspadeira)
R.U. – Reconformação Utensilizante (vulgo Retoque)
P.L.C.V.R.U. – Produto Lascivo de Conformação Volumétrica com Reconformação Utensilizante (vulgo Lasca Retocada)
U.E.F.F.R.S.P.L.C.V.R.U. – Utensílio de Extremidade Formatada para Função Raspante Sobre Produto Lascivo de Conformação Volumétrica com Reconformação Utensilizante (vulgo Raspadeira sobre lasca retocada)
VIRIATO
– Alcunha dada a um guerreiro da antiguidade, de seu nome Manel Jaquim (vulgo
“Blé”), quando tentou explicar aos seus companheiros de armas uma nova
técnica de amarrar os prisioneiros por si inventada (viro-e-ato).
ZONA DA ESCAVAÇÃO COM MAIOR DENSIDADE DE MATERIAIS – O quadrado do lado.
O CACO ESTÁ SEMPRE exactamente no sítio onde vai bater o pico.
O MELHOR MOMENTO DA ESCAVAÇÃO – A “mine” entre o campo e o banho.
O PIOR MOMENTO DA ESCAVAÇÃO – O banho.
FRASES ESTRANHAS QUE PODEM SER OUVIDAS NO DECORRER DE UMA ESCAVAÇÃO:
"Sai do meu buraco"
"Já meti o dedo onde não devia"
"Empresta-me o teu mija-mija"
"Tenho aqui uma coisa dura"
"Eu vejo a tua e tu depois vês a minha"
"Posso usar o teu pincel?"
"Quem é que partiu o pico?"
"Tira-me as medidas"
"Fazer uma raspagem"
"Levantar o morto"
"Pôr o menir em pé"
"Cotas novas"
"Cota na pedra" (outras cotas possíveis: "cota no caco"; "cota na chapa"; "cota na brasa"; etc.)
"Baixa o nível" (ou "sobe o nível")
"Quem é que me partiu o maxilar?"
"Tenho um gajo enterrado aqui no meio"
"O teu buraco está cheio de terra" (Resposta: "Quem é que tem terra no buraco!?"
"Já Bolhei o nível!" (Resposta: "Eh pá, então seca-o depressa
e, já agora, assoa-te!")
"Está aqui uma folha de loureiro!" (Resposta: "Olha, apanha que o jantar hoje é bife!")
"Isto é um achado isolado!" (Resposta: "Então parte-o! Sempre ficam dois achados acompanhados!")